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28 dezembro 2013

RECANTO DAS LETRAS - Publicação Gratuita

Este é um espaço de publicação gratuita de autores independentes que gostem de disponibilizar seus escritos por aí.




Recanto das Letras - Minha page lá - http://www.recantodasletras.com.br/autores/luainzaila

18 dezembro 2013

Conto - Parace que é Amor (Zay El Hawa)


Hoje, dia 18 de Dezembro é o Dia Mundial da Língua Árabe, data dedicada à promoção da cultura árabe.

O conto se chama "Parece que é Amor", tradução aproximada do sentido da música Zay El Hawa de Abdel Halim Hafez.

Escrevi este conto em Setembro/2013, mas decidi disponibilizá-lo agora para domínio público não comercial. Leiam e deixem comentários.

Para ler, faça o download do Adobe PDF, caso não tenha um programa para leitura deste tipo de arquivo.

Em breve vou disponibilizar outro conto que tenho, baseado em temáticas da Lei 10.639 - História da África, que escrevi e foi publicado há algum tempo atrás, chamado "O Caminho Sankofa de Nande".



CONTO EM PDF


01 novembro 2013

Conto: Aí pelas Três da Tarde

Belo conto escrito por Raduan Nassar, escritor brasileiro, filho de imigrantes libaneses.
o próximo a aparecer aqui será meu...

Aí pelas Três da Tarde
(para José Carlos Abbate)


Nesta sala atulhada de mesas, máquinas e papéis, onde invejáveis escreventes dividiram entre si o bom senso do mundo, aplicando-se em idéias claras apesar do ruído e do mormaço, seguros ao se pronunciarem sobre problemas que afligem o homem moderno (espécie da qual você, milenarmente cansado, talvez se sinta um tanto excluído), largue tudo de repente sob os olhares a sua volta, componha uma cara de louco quieto e perigoso, faça os gestos mais calmos quanto os tais escribas mais severos, dê um largo “ciao” ao trabalho do dia, assim como quem se despede da vida, e surpreenda pouco mais tarde, com sua presença em hora tão insólita, os que estiveram em casa ocupados na limpeza dos armários, que você não sabia antes como era conduzida. Convém não responder aos olhares interrogativos, deixando crescer, por instantes, a intensa expectativa que se instala. Mas não exagere na medida e suba sem demora ao quarto, libertando aí os pés das meias e dos sapatos, tirando a roupa do corpo como se retirasse a importância das coisas, pondo-se enfim em vestes mínimas, quem sabe até em pêlo, mas sem ferir o decoro (o seu decoro, está claro), e aceitando ao mesmo tempo, como boa verdade provisória, toda mudança de comportamento. Feito um banhista incerto, assume em seguida no trampolim do patamar e avance dois passos como se fosse beirar um salto, silenciando de vez, embaixo, o surto abafado dos comentários. Nada de grandes lances. Desça, sem pressa, degrau por degrau, sendo tolerante com o espanto (coitados!) dos pobres familiares, que cobrem a boca com a mão enquanto se comprimem ao pé da escada. Passe por eles calado, circule pela casa toda como se andasse numa praia deserta (mas sempre com a mesma cara de louco ainda não precipitado) e se achegue depois, com cuidado e ternura, junto à rede languidamente envergada entre plantas lá no terraço. Largue-se nela como quem se larga na vida, e vá ao fundo nesse mergulho: cerre as abas da rede sobre os olhos e, com um impulso do pé (já não importa em que apoio), goze a fantasia de se sentir embalado pelo mundo. 


Texto extraído do livro “Menina a caminho”, SP: Companhia das Letras, 1997. pág.71.